• 30
    Ago

    Reinventando a internet, dez anos depois

    Não é novidade afirmar que a internet mudou consideravelmente nossas vidas. É praticamente impossível imaginar como fazíamos coisas simples da nossa rotina diária antes de tal advento. A evolução desta tecnologia e das demais tecnologias que surgiram em decorrência das possibilidades que o acesso à rede nos proporciona tem ganhado velocidade sem igual e criado um sem número de oportunidades para todo o ecossistema de desenvolvedores e empreendedores digitais.

    Os brasileiros, em particular, têm se destacado cada vez mais neste cenário. Não só com ideias criativas, mas também nas relações de seus internautas. O Brasil ainda não aparece entre os dez países com mais usuários – hoje somos 82,4 milhões de internautas, apenas 41% da população – mas estes números vêm aumentando. Em 2011, o número de usuários de internet subiu 8% e o Brasil é um dos países em que as pessoas passam mais tempo conectadas, com uma média mensal de 25 horas e 19 minutos.

    A maneira como acessamos a internet também tem mudado. De computadores fixos, acessados do trabalho ou de casa, hoje passamos a ter a internet nas mãos, em qualquer lugar. A mobilidade está ao nosso alcance, com aparelhos inteligentes cada vez mais capazes. Os números de acesso à internet 3G são impressionantes. As assinaturas de planos de 3G aumentaram 37% no mundo, só no quarto trimestre de 2011, com crescimento de 18%.

    A mobilidade oferecida pelos smartphones e tablets permite que afazeres rápidos e comuns, como a leitura de e-mails e notícias e o acesso às redes sociais, sejam realizadas em diversos horários pelos usuários. Esta nova maneira de acesso tem recriado quase tudo o que fazíamos antes da internet, digo mais, antes da internet móvel, pois as mudanças estão embasadas em novos aparelhos com conectividade. A internet fez dez anos e muita coisa mudou:

    – Quem se lembra dos famosos orelhões? Embora ainda existam, definitivamente perderam seu lugar para os aparelhos celulares;

    – Os computadores de mesa também não fazem mais tanto sucesso e os notebooks estão indo para o mesmo caminho. Tablets híbridos substituirão esse tipo de dispositivo, principalmente com ajuda do novo sistema operacional da Microsoft, que será o mesmo para todos os dispositivos;

    – Com isso, até os livros foram impactados com estas mudanças. Cada vez mais os livros digitais conquistam consumidores;

    – Nem os quadros passaram ilesos a tantas mudanças. Hoje os aparelhos disponíveis nos permitem criar obras de arte, como antes só fazíamos em telas de pintura. O mesmo acontece com os porta-retratos, que perderam o glamour para o mural de fotos do Facebook;

    – A fotografia ganhou uma dimensão absurda com ferramentas que nos permitem ter uma câmera sempre a mão, em nossos smartphones e, além de compartilharmos, sincronizamos e criarmos efeitos em ferramentas como o Instagram;

    – Nossa interação com o conteúdo de entretenimento também mudou. Música, gravações de áudio e vídeo, locação de filmes e até a maneira como assistimos aos telejornais e interagimos com as os canais de entretenimento na TV, que por sua vez já interagem com a internet, mudou. Hoje em dia podemos assistir nossos programas prediletos quando e como quisermos;

    – E quem se lembra de guias da cidade? Com a chegada dos GPS eles são coisas de um passado distante. Posso apostar que nossos filhos nem sonham que um dia tivemos um guia em papel no porta-luvas do carro;

    – E as listas amarelas? Quem tem mais de 30 anos, com certeza se lembrará daquele grande bloco de papel ao lado de nossos telefones fixos. Com o Google e demais sites de buscas elas ficaram obsoletas e foram aposentadas;

    – Da energia que abastecemos nossos carros até a maneira com que pedimos um táxi, tudo a nossa volta tem mudado. Aliás, hoje em dia, cada vez menos precisamos nos deslocar, já que a tecnologia nos permite participar de reuniões via videoconferência, o que muda nossa relação com o tempo;

    – Nem os vídeos games, já tão modernos e tecnológicos não resistiram a mudanças. Hoje em dia eles são interativos e não necessitam nem de controles cheios de botões para ser usado;

    – As classes de aula também têm sido esvaziadas. Em vez dela, temos grupos de estudos online e ensino à distância. O que permite atingir um grupo maior, independente de onde os alunos estão;

    – Até os famosos cupons de desconto agora são eletrônicos;

    – Nossa maneira de comprar, de pesquisar e até de fazer transações financeiras é outra. Até contratações e entrevistas de emprego são baseadas em meios eletrônicos. Qual gerente de RH nunca pesquisou o Linked-In do pretendente à vaga de emprego antes de marcar uma entrevista? 

    A magnitude das mudanças ainda está por vir. Estamos ainda plantando muitas coisas que pretendemos colher num futuro próximo. Há muito a ser pensado e muito espaço para criar. Soluções para carros, por exemplo, ainda são bem tímidas. Passamos muito tempo sozinhos dentro dos carros, então por que não investir em soluções que aproveitem este potencial? A televisão é outro bom exemplo. No Brasil temos poucas iniciativas de internet na TV, uma interface excelente para ser explorada. Os americanos, por exemplo, passam mais de 3 horas por dia em frente ao televisor.

    Mas, será que a era dos aplicativos e da mobilidade é uma nova bolha? Honestamente não acredito nisso. O ciclo das tecnologias disruptivas, apesar de muito mais rápido, é também muito mais amplo que os demais ciclos. É preciso investir num ecossistema saudável, que incentive, cada vez mais, o surgimento de grandes ideias e fomente o desenvolvimento de novos empreendedores, mantendo, assim, este ciclo sempre vivo.

    Por Fábio Bruggioni



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